Boa tarde Sandra!
Muitos Parabéns pelos 3 meses de amamentação exclusiva da sua filha, parabéns por persistir apesar de todas as pressões externas, naquilo que sabe que é o melhor e insubstituível.
Compreendo que se sinta abalada pelos comentários depreciativos ao seu leite que ouve, estas observações, particularmente quando são feitos por pessoas próximas de quem esperávamos apoio, podem magoar bastante. Mas há que compreender o meio cultural em que vivemos, poucas pessoas da geração das nossas mães deram de mamar, nos anos 70 e 80 não só se transmitia que o leite materno era algo pouco fiável e difícil de produzir, como ao imporem-se regras de horas e minutos para as mamadas se minava a produção. O leite no geral, mesmo o artificial, era desvalorizado e focava-se muito na alimentação complementar sendo que se iniciava a introdução dos alimentos muito cedo. Criou-se uma ruptura tal com o passado e com a amamentação que é difícil para as pessoas verem para além do que se impôs nessa época. Convém informar as pessoas com gentileza e dados fiáveis e aos poucos as mentalidades mudam.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), na sequência de vários estudos realizados e da opinião de especialistas mundiais na matéria recomenda que se faça a introdução de alimentação complementar apenas a partir dos 6 meses de idade. Como relata a sua bébe está bem em todos os aspectos só com o seu leite, a OMS recomenda que se faça a introdução de comida complementar só após os 6 meses porque antes disso não trás grandes vantagens e pode trazer algumas desvantagens tais como, alergias e intolerâncias alimentares, desnutrição (pode parecer um contra-senso mas poucos alimentos são tão completos como o leite materno e substituir uma refeição de leite materno num bébe pequeno é sempre um risco), tendência para obesidade no futuro (o bébe é muito pequeno e pode não conseguir transmitir que está cheio, deixando de reconhecer a sensação de saciedade), só para dar alguns exemplos. Se substituir uma mamada por uma refeição de comida complementar reduz a quantidade de leite mas uma vez que o bébe está a ser alimentado doutra forma também não precisa desse leite uma forma de contornar a situação é seguir a recomendação de dar de mamar antes das refeições de comida complementar para ter a certeza que o bébe ingere leite suficiente e que só come mesmo aquilo de que precisa para complementar o alimento mais importante durante o 1º ano de vida: o leite materno. Compreendo que seja difícil ir contra as recomendações do pediatra, ainda mais se é bastante conhecido da família, mas nesse caso, essas recomendações são baseadas em conhecimentos desactualizados. Não poderá oferecer o o “Manual Prático do aleitamento Materno” do Dr. Carlos González, que pode encontrar à venda na página principal deste site, a esse pediatra, para que ele possa actualizar-se? Ou pode consultar e imprimir gratuitamente, por exemplo, a seguinte publicação da OMS:
http://whqlibdoc.who.int/paho/2004/a85622.pdf "Guiding principles for the complementary feeding of the breastfed child".
De qualquer forma a última palavra em relação à alimentação dos seus filhos cabe à mãe e os outros poderão criticar o que quiserem, mas com segurança de quem tem os conhecimentos correctos, pode decidir continuar a amamentação exclusiva até aos 6 meses sem ter de se sentir culpada de qualquer forma por isso. Recomendo que caso possa rodeie-se de pessoas que também acreditem na amamentação e não a critiquem tanto. Não tem amigas que partilhem as suas ideias que possam dar apoio?
Sinta-se sempre à vontade para recorrer a esta associação para apoio nestas questões da amamentação, é esse mesmo o nosso objectivo. Praticamente todas as mães que amamentam têm que enfrentar meios e políticas hostis à amamentação, ou pelo menos, não favorecedoras. Mas o saber que estamos a dar o melhor aos nossos filhos, que não há qq outro alimento no mundo que fosse melhor para o nosso bébe, dá-nos a certeza para persistir e seguir em frente.