Olá Carla!
Muito gosto em lê-la por aqui. Muitos parabéns pela amamentação das suas meninas, que privilégio ambas poderem usufruir da amamentação!
A questão que coloca não é nada fácil de responder. Não há assim tanta gente na nossa sociedade que conheça o desmame, amamentação prolongada e o tandem para que as respostas surjam com facilidade. E da minha experiência pessoal e conhecimentos dúvido que mesmo quem conheça estes assuntos em profundidade consiga dar uma resposta preto no branco.
A minha opinião é que a amamentação é algo que deve satisfazer ambas as partes envolvidas. Claro que pode haver alturas mais stressantes em que todavia vale a pena persistir, muitas mães que amamentam são orgulhosas superadoras de momentos em que a amamentação lhes trouxe dor como mastites ou feridas, e sentem muito justamente, que valeu a pena persistir para mais tarde colher todo o prazer de amamentar sem esses inconvenientes. Não obstante, quando falamos de amamentação prolongada estamos também a falar de um processo de desmame em curso, quer dure semanas quer dure anos, mais tarde ou mais cedo produz-se o desmame. Esse desmame nos casos de amamentação prolongada geralmente traduz-se em pequenos passos dados tanto pela mãe como pelo filho nesse sentido. Muitas vezes é um percurso algo em espiral em que determinadas fases são vividas ciclicamente até finalmente se produzir o desmame. Assim em relação à pega da sua filha, e porque já tinhamos falado disso anteriormente, sabemos que se tentou corrigir diversas vezes e que simplesmente não está a surtir o efeito desejado. Talvez mesmo mamando só na pontinha da maminha ela consiga extrair o leite que precisa e as dentadinhas sirvam para despoletar mais depressa o reflexo de ocitocina. Talvez ela tenha mesmo desaprendido a extrair leite mas queira na mesma mamar porque vê a irmã a mamar e quer ter com a mãe igual proximidade. A verdade é que a Carla não gosta dessa forma dela mamar e sente necessidade de a impedir de mamar dessa maneira. Na minha interpretação dos factos isso é um dado tão válido para o desmame como seria um filho com mais de 2 anos recusar-se a mamar. Assim acho que é perfeitamente legitimo qu a Carla decida algo como se a minha filha só consegue mamar dessa forma e eu não consigo amamentar dessa forma acabou esta amamentação, deu-se o desmame, vamos ficar por isso mesmo. Se a Carla prefere mesmo que a amamentação não acabe assim e tem a esperança que toda esta questão da pega se resolva (pode ser uma fase...) pode pensar no que seria suportável para si e deixá-la mamar só dessa maneira. Por exemplo: para mim era suportável que ela mamasse, mesmo com esta má pega, durante 3 segundos a seguir ao almoço e a seguir ao jantar. Assim sempre que a sua filha pedisse para mamar responderia de forma coerente: só depois do almoço/jantar (conforme o caso), com a boca bem aberta e só até à mamã contar até 3. As crianças acabam por se habituar a estar regras e dá-lhes oportunidade de fazerem uma transição mais gradual para o desmame completo. Mas enfim, só cada mãe pode avaliar a sua situação e o qual realmente o caminho melhor a seguir.
Sugiro ainda que fale com a voluntária e tb presidente da associação Isabel Rute Reinaldo, o contacto dela está na página pricinpal do site. Ela já amamentou 9 crianças, várias vezes em tandem e praticamente todos os seus filhos mamaram prolongadamente. Talvez ela tenha alguma sugestão que eu não me lembre fruto da sua grande experiência no campo.
Quer a Carla decida que o melhor é desmamar, impôr limites muito claros às mamadas ou continuar como até agora deve sentir muito orgulho do seu percurso na amanetação e na óptima oportunidade que deu à sua filha , o melhor alimento de todos nos 2 primeiros anos de vida: o leite materno.