Olá! Gostei muito de lêr novidades suas e de saber do sucesso da vossa amamentação!
Está de parabéns pois ultrapassou muitas dificuldades e pressões, numa situação dificil (bébe dorminhoca e com ictericia) que faria muitos desistir. Muitos, muitos parabéns por esses 7 meses de amamentação de sucesso, por ter lutado e por ter procurado informação! É algo de que se poderá orgulhar sempre o resto da vida.
O vosso regime de mamadas durante o dia de trabalho parece-me adequado. Fora do horário de trabalho procure sempre dar de mamar a pedido, incluindo aos fins de semana. Se a bebe quando estiver consigo preferir mamar a comer ou comer menos não lhe dê grande importância, durante o 1º ano de vida o leite é o alimento mais importante, a sopa e a papa são apenas complementos, o que continua a fazer o maior aporte de energia e nutrientes é o leite materno e assim deve ser. Em relação ao stress e possível diminuição do leite, essa relação directa não existe. O que pode acontecer, se a mãe estiver com stress, ansiosa, cansada, etc é que inibe apenas temporariamente o reflexo da ocitocina, estando por isso a mama cheia de leite mas tendo o bebe alguma dificuldade em o extrair. Para evitar que essa situação surja deve-se tentar relaxar antes das mamadas, apreciando o nosso lindo bébe, e usando outras técnicas que normalmente a relaxem como respirar fundo, beber uma bebida agradável, ouvir música, concentrar-se numa paisagem imaginária que goste. De qualquer forma o reflexo da ocitocina acaba sempre por surgir se a mãe persistir e puder o bébe à mama, pois a mãe pode viver situações de uma ansiedade terrível (basta pensar numa mãe que tenha um bébe num cenário de guerra) mas os bébes acabam por arranjar forma de convencer o corpo da mãe que é seguro amamentar. E enquanto o bébe tiver oportunidade de mamar, estimulando o mamilo e retirando o leite da mama a produção de leite está garantida.
Em relação à duração da amamentação a recomendação da Organização Mundial de Saúde e da UNICEF é que esta decorra no mínimo durante 2 anos e depois disso enquanto mãe e filho assim o desejarem. Não há uma altura em que o leite passe a alimentar menos e se possa considerar que já não é importante, é sempre muito bom em termos nutricionais, imunológicos e afectivo. A partir dos 12 meses considera-se que as necessidades de leite do bebé se reduzem um pouco e que a restante alimentação passa a ter um papel mais preponderante. Mas claro que isso dependerá de cada criança, algumas com 12 meses ainda não estão preparadas para muita comida complementar e precisam de muito leite materno, facto que é normal e não deve assustar ninguém, cada individuo tem o seu ritmo que deve ser respeitado. Caso possa, recomendo que leia o livro "mi nino no me come" do Dr. Carlos Gonzalez (existe em espanhol e inglês), é particularmente esclarecedor qt a estes aspectos.
Em relação ao uso de medicamentos, caso o profissional de saúde tenha alguma dúvida acerca da compatibilidade de algum medicamento pode-se consultar o Sigmeg: http://www.chc.min-saude.pt/simeg/ (neste site existem alguns contactos por telefone e email), indicando a doença, tratamento proposto e idade do bébe em amamentação. Mesmo quando um medicamento especificamente não é recomendado normalmente há outros que podem ser usados para a mesma finalidade e são compatíveis com a amamentação.
Em relação à cintigrafia especificamente, queria-lhe pedir que contactasse uma das nossas voluntárias, a prof. Teresa Félix tel: 93 430 09 06 (é uma pessoa um bocadinho ocupada, vá ligando a diferentes horas até ela poder atender), indicando o exame e o tipo de contraste que é usado (informe-se sobre isso antes de telefonar), que ela lhe poderá responder acerca da compatibilidade com a amamentação.
Desculpe ter demorado tanto tempo a responder mas tive dificuldade em aceder ao site.